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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Manual definitivo do método sintotermal ou método da temperatura basal - como fazer, dicas, informações e muito mais

Olá, querida, tudo bem com vocês?

Estou devendo este post há muito tempo. Temos um post no blog falando sobre termômetro basal, mas não necessariamente falando sobre o método sintotermal ou método da temperatura basal. 

Antes de mais nada, no que consiste esse método? Esse método consiste em aferir, analisar e interpretar os sinais de nosso corpo. E para isso, usamos dois principais critérios: temperatura basal e muco cervical. Existem critérios secundários que irão nos ajudar a identificar os sinais de fertilidade, mas esses são os principais.

Essas informações sozinhas não nos dizem muita coisa. Para isso, nós usamos um gráfico. Esse gráfico pode ser feito à mão, mas existem muitos aplicativos que facilitam esse trabalho para nós. 

Esse método não é usado apenas por tentantes, aqueles mulheres que estão tentando engravidar. Mas também é muito usado para mulheres que querem evitar uma gravidez. Olha que bacana! O sintotermal serve tanto para ajudar a conceber quanto como método contraceptivo! Muitas mulheres que querem se ver livres do veneninho chamado pílula anticoncepcional, encontram nesse método uma forma de conseguir seu objetivo de não engravidar, como foi meu caso por alguns anos.

Antes de mais nada, o principal objetivo do método é identificar o período fértil. E isso vai ser tanto para quem quer engravidar quanto para quem quer evitar. E por quê precisamos de um aplicativo específico para isso, se qualquer aplicativo ou tabelinha conseguem me dizer quando estou ovulando? Vou te dizer porquê: eles consideram que todas as mulheres tem um ciclo certinho de 28 dias e que todas ovulam lindamente no 14º dia ciclo. Isso não poderia ser mais irreal! Uma minoria das mulheres ovula no 14º dia do ciclo. Por isso que tabelinha não funciona nem para quem quer evitar uma gravidez nem para quem quer engravidar! Esses aplicativos induzem a mulher a namorar nos dias errados! Podemos dizer que são um verdadeiro atraso na vida das mulheres. Venham para a luz, vamos aprender o método sintotermal!

Antes de mais nada, você precisa de 3 ingredientes básicos:
  • Um termômetro digital;
  • Um gráfico (pode ser um dos apps sugeridos abaixo);
  • Um bocado de paciência.
É fácil? Não é. Mas também não é difícil! Para mulheres que tem bastante muco cervical e temperaturas estáveis, o método se torna muito mais simples. Já, mulheres que possuem temperaturas erráticas (normalmente as que possuem algum distúrbio na tireóide) e/ou não possuem muco cervical, o método pode ficar um pouquinho mais desafiador. Mas garanto que impossível não é! Não desanime, tenha paciência e determinação, que logo logo você vai estar dominando e ensinando tuas amigas.

Antes, gostaria de apresentar-lhes alguns conceitos que serão importantes para o entendimento do método. Sugiro que você pegue um papel e uma caneta e reescreva esses conceitos. Quando nós escrevemos algo copiando de algum lugar, nós memorizamos 3 vezes: uma vez quando lemos, a segunda vez quando escrevemos e a terceira vez quando lemos o que escrevemos. É uma excelente tática de memorização.

Fases do ciclo:

Fase folicular: A fase folicular começa com o início menstruação. Nessa fase, que dura em média 15 dias (podendo ir até 20 ou 30 dias), o revestimento do útero, o endométrio, começa a ficar espesso, preparando-se para receber um possível óvulo fecundado, um embrião. Ao mesmo tempo um dos folículos contendo um óvulo começa a crescer. Esse folículo, que se torna dominante, libera um óvulo, e esse fenômeno é conhecido como ovulação. O óvulo sai do ovário e percorre as trompas, onde deverá acontecer uma possível fecundação.

Fase lútea: A fase lútea corresponde ao período entre a ovulação e a próxima menstruação. Assim que ocorre a ovulação, os níveis de progesterona sobem (a progesterona é responsável pelo aumento da temperatura basal). A progesterona é responsável por manter o endométrio receptivo para o embrião. Caso haja fecundação, a progesterona tende a aumentar e a temperatura basal a subir. Caso não haja fecundação, os níveis de progesterona caem, a temperatura basal desce e o endométrio começa seu processo de descamação culminando na menstruação. 

Menstruação: Corresponde aos dias de sangramento menstrual. O revestimento do útero, o endométrio, começa a descamar devido aos baixos níveis de progesterona e estrogênio. Essa descamação do endométrio você percebe como um sangramento que dura de 4 a 6 dias. 

Gráfico de temperatura basal do Fertility Friend.
Hormônios e o ciclo menstrual:

FSH: sigla para hormônio folículo-estimulante. É produzido no cérebro, pela hipófise. Como o nome já diz, irá estimular o desenvolvimento de folículos ovarianos. Por sua vez, os folículos produzem o estrogênio, que estimula o crescimento do endométrio, que se torna mais espesso e vascularizado. Essas mudanças preparam o útero para o caso da implantação de um embrião, ou seja, de uma gravidez. O FSH é fundamental para a produção dos folículos (óvulos), e atua sempre em conjunto com o LH (hormônio luteinizante). 

LH: sigla para hormônio luteinizante. É produzido no cérebro, pela hipófise. Ele trabalha junto com o FSH. Enquanto o FSH estimula o crescimento dos folículos, o LH induz o rompimento do folículo e leva ao desenvolvimento do corpo lúteo. Depois da ovulação, o LH continua sua função estimulante, desta vez estimulando o corpo lúteo a produzir estrogênio e progesterona (em grande quantidade). O LH é sempre secretado em maior quantidade do que o FSH. 

Estrogênio: o estrogênio é produzido pelos folículos do ovário, ou seja, pelos óvulos em formação. O estrogênio estimula o crescimento do endométrio, que se torna mais espesso e vascularizado. Essas mudanças preparam o útero para o caso da implantação de um embrião, ou seja, de uma gravidez.

Corpo lúteo: também chamado de corpo amarelo, esse corpo é o folículo já sem o óvulo. Explicando melhor: quando há ovulação, o folículo libera o óvulo que há dentro dele. Esse óvulo segue o caminho pela trompa. Porém, o folículo vazio não morre, agora ele é chamado de "corpo lúteo" e ele secreta estrogênio e progesterona com o objetivo de manter a gestação, até que a placenta possa assumir esta função. Caso não tenha havido fecundação, ele regride. Caso haja fecundação, é necessário que o corpo lúteo permaneça até o quinto ou sexto mês de gestação, pois se ele é degenerado antes desse período as perdas dos hormônios estrogênio e progesterona causam a eliminação do feto em pouco tempo. Após o quinto mês de gestação, o corpo lúteo não atrapalha o curso saudável da gravidez, pois a placenta estará instalada, assim garantindo a secreção dos hormônios da gravidez e a manutenção segura do feto.

Progesterona: a progesterona é produzida pelo corpo lúteo (estrutura que se forma a partir do folículo) e, juntamente como estrogênio, atua nas diversas fases do ciclo menstrual. A progesterona irá auxiliar na manutenção do endométrio até o final do ciclo menstrual. Caso haja fecundação, o hormônio da gravidez (HCG) irá impedir a degeneração do corpo lúteo e assim a progesterona e o estrogênio continuam em alta. No quarto mês de gestação a própria placenta passa a produzir um hormônio com ação similar à da progesterona, chamado de progesterona 2, e que, deste ponto em diante, é responsável pela manutenção da gravidez.

A: liberação pulsátil do LH e do FSH;
B: aumento da quantidade de estrógeno;
C: redução dos pulsos de LH e FSH;
D: surtos pré-ovulatórios de LH e FSH;
E: estrógeno e grandes quantidades de progesterona secretados devido à ovulação;
F: não havendo fecundação a concentração de estrógeno e progesterona caem.
Começando o método sintotermal:

Agora que já entendemos os principais conceitos, vamos começar com o método em si.

Qual aplicativo instalar?

Nós recomendamos dois aplicativos, mas um deles não é um aplicativo, é um site: Fertility Friend e Mamanandco.
  • Fertility Friend: é gratuito, porém é em inglês. É o que mais gostamos e 90% usa. É fácil de usar e fizemos um tutorial em português para quem tem dificuldade com o inglês. Veja o tutorial aqui.
  • Mamanandco: é gratuito, em português, porém não tem aplicativo para celular. É necessário usar no computador ou no navegador do celular. Clique aqui para acessar.
Você não precisa escolher um, entre os dois. Pode usar ambos, se quiser. É bom até porque traz mais segurança.

Qual termômetro usar?

Um termômetro comum de farmácia costuma atender a maior parte das mulheres. A única exigência é que seja digital. A maioria custa em torno de R$ 15,00. Se você procura um termômetro mais preciso, recomendamos o termômetro basal centesimal da Incoterm (empresa brasileira). O modelo desse termômetro é o Flexterm, ele possui haste flexível, de silicone (permitindo maior segurança e conforto ao medir a temperatura via vaginal) e possui duas casas após a vírgula. Os termômetro digitais comuns apresentam apenas uma casa após a vírgula, como por exemplo, 36,7ºC. O termômetro basal centesimal apresenta 36,73ºC. Para o método não devem ser usados termômetros de mercúrio e infravermelho.

À esquerda, o termômetro basal centesimal Flexterm. À direita, um termômetro digital comum.
Como medir a temperatura basal?

Antes de mais nada, precisamos esclarecer o que é temperatura basal. 
A temperatura corporal basal é a temperatura do corpo medida imediatamente após a pessoa acordar, antes de que qualquer atividade física no dia seja feita. Nas mulheres, a ovulação causa um aumento de 0,3 a 0,5 graus Celsius no período da ovulação.
E para fazer o método, nós precimos seguir algumas regrinhas. Medir a temperatura durante o dia, não irá ajudar em nada, pois essa temperatura apenas indica o estado febril da pessoa, e não a sua temperatura basal, que é o que precisamos para detectar a ovulação.

Regras para medir a temperatura basal:
  • Medir todos os dias pela manhã ao acordar;
  • Dormir pelo menos 4h seguidas antes de medir;
  • Medir todos os dias no mesmo horário (eu meço todos os dias as 6:30 da manhã. Coloque um despertador para não esquecer);
  • Não comer, levantar, urinar ou até mesmo falar antes de medir. Apenas estender o braço, lentamente, pegar o termômetro e fazer a medição;
  • Medir preferencialmente pela via vaginal. É a mais confiável. Inserir cerca de 3cm do termômetro no interior da vagina e esperar ele apitar;
  • Usar termômetro digital;
  • Anotar a temperatura em um papel ou no próprio aplicativo em que é construído o gráfico. Pode ser que o seu termômetro não armazene a última temperatura, e daí ficará difícil lembrar. Dica: de todos os aplicativos, para mim, o mais confiável e completo é o Fertility Friend. Mas você pode construir o próprio gráfico no papel ou usar o Mamanandco.
E o muco cervical? Como identificar?

Junto com a temperatura basal, o muco cervical será um dos teus principais aliados para identificar o período fértil. Ambos são tidos como sinais primários de fertilidade, porque são mais confiáveis que os sinais secundários de fertilidade. Vamos agora falar sobre muco cervical. Caso você tenha pouco muco cervical, recomendamos alguns produtos naturais: óleo de prímula e linhaça triturada. Você pode tomar 2 cápsulas de 500mg de óleo de prímula por dia, uma de manhã e uma à tarde. Também pode fazer uso da linhaça marrom triturada. São execelentes reguladores hormonais, aumentam a quantidade de muco e são muito úteis, tanto para tentantes quanto para evitantes. Ah, e não se esqueça da água! Se você não tomar pelo menos 2 litros de água por dia, dificilmente terá muco, mesmo tomando óleo de prímula.

Elasticidade do muco cervical.
Quando você não está fértil, no começo do ciclo ou após a ovulação, o MC (sigla para muco cervical) está seco e reduzido ou pegajoso e não pode ser penetrado pelo esperma. Nessas épocas não-férteis, a vagina está mais ácida e até mesmo hostil para o esperma. O MC nesta época faz uma barreira no colo e evita que bactérias entrem no útero. Como a presença de estrogênio aumenta a medida que a ovulação se aproxima, há a estimulação de grandes quantidades de MC mais fino, aquoso e alcalino - e receptivo para o esperma. O muco mais fértil assemelha-se a "clara de ovo crua".

O muco "clara de ovo" nutre o esperma e permite que ele se mova e sobreviva nos dias mais próximos à ovulação. Quando este tipo de MC está presente, o esperma pode ser nutrido e ser transportado dentro do aparelho reprodutor feminino. Uma vez lá, neste muco, o esperma pode esperar que o óvulo seja liberado. Esse muco "clara de ovo" é geralmente observado nos dias mais férteis, logo antes da ovulação, sumindo logo após. A ovulação ocorre no último dia que o muco "clara de ovo" é observado, mas isso pode variar. Observações do MC, entretanto, não podem lhe mostrar quando você ovulou, só que o estrogênio está alto, e a ovulação está se aproximando.
Para melhor identificar o teu muco, indicamos que leia este post, que possui descrições detalhadas a respeito de cada muco e também fotos para você comparar com o teu.
Tipos de muco cervical

Muco Dry (seco): Registre seu fluido cervical como "seco" se você não tem presente líquido cervical; se detectar nenhum líquido cervical em sua calcinha, e se sua vagina fica seca. Você pode esperar para ver ambos os dias secos antes da ovulação logo após a menstruação e após a ovulação.
Registre "seca" se você não for capaz de coletar ou ver algum líquido cervical, mesmo se sente dentro de sua vagina ligeiramente úmida

Muco Sticky: O muco Sticky é como uma cola líquida, rígida ou quebradiça e se quebra facilmente e rapidamente e, se não é facilmente esticado. Provavelmente será amarelada ou branca, mas também poderia ser mais clara. Você pode ou não pode ver algum líquido pegajoso cervical antes e após a ovulação. Ele se parece muito com a Amoeba, um tipo de massa pegajosa, uma geleca/gosma usada por crianças, colorida, que vem dentro de um potinho plástico. É considerado o muco menos fértil, pois sua consistência dificulta muito que os espermatozóides nadem. No entanto, esse muco pode aparecer em diversas fases do ciclo e cada mulher possui um padrão.

Creamy: Registre seu fluido cervical como "cremoso", se é como creme hidratante, branca ou amarela ou parecida com maionese ou como uma farinha misturada com água. Ele pode esticar um pouco, mas não muito e quebram facilmente. É muito comum esse muco aparecer após a ovulação, pois ele é decorrente do aumento da progesterona. Porém é comum aparecer por alguns dias alternados logo após a ovulação. Se a mulher estiver grávida, há boas chances de ela ter esse muco até o final da gravidez. No entanto, esse muco cervical NÃO é sintoma/sinal de gravidez. Apenas de progesterona. E a progesterona toda mulher tem após ovular, na fase lútea, esteja grávida ou não.

Watery (aguado): o seu fluido cervical é claro e mais se assemelha a água. Pode ser elástico também. Este líquido cervical é considerado fértil, geralmente antecede ao fluído "clara de ovo". Para algumas mulheres, esse será o único muco fértil que terão.

Eggwhite (clara de ovo): Este é o fluido mais fértil do colo do útero. Registre clara de ovo caso seu fluido cervical pareça com a clara de ovo cru, é elástica e clara, transparente ou branca, ou mesmo ligeiramente rosada. Ele também lembra sêmen (e tem muitas das mesmas propriedades físicas para permitir que o esperma de viajar e ser nutrido). Você deve ser capaz de esticá-lo entre o polegar e o dedo indicador. Se ele esticar mais do que 2,5cm, muito possivelmente é o muco fértil. Cuidado para não confundir com o muco sticky, porque são muito parecidos na aparência. A diferença é que o muco sticky não estica mais do que 1cm e facilmente é partido.

Peak Day

O Peak Day, traduzido como Dia do Pico, também chamado de Dia do Ápice (método de Billings) é o dia mais fértil do ciclo de uma mulher. O Peak Day é o último dia em que ela tem uma sensação vaginal lubrificante ou produz fluido cervical fértil. Ou seja, é o último dia que a mulher tem um muco cervical fértil antes de ele regredir para um muco infértil (normalmente dry-seco ou creamy-creme).

É chamado de "Dia do Pico" porque denota seu dia máximo de fertilidade. Geralmente ocorre dentro de um ou dois dias antes da ovulação. Dessa forma é importante ressaltar: o Peak Day não é necessariamente o dia da ovulação. É o dia em que a relação sexual tem maiores chances de resultar em uma gravidez. O Peak Day pode acontecer tanto dois dias antes da ovulação como dois dias após a ovulação. Às vezes ele pode coincidir com o dia da ovulação.

Veja a tabela abaixo que mostra as probabilidades de se conceber em relação ao peak day e em relação ao shift da temperatura basal.

Essa tabela poderá ajudá-la a identificar os melhores dias para ter relações sexuais, caso deseja-se engravidar, ou evitar as relações sexuais caso o objetivo seja a contracepção.
Tabela com as probabilidades de concepção.
Sinais secundários de fertilidade:

Agora você já sabe que os sinais primários de fertilidade são dois: temperatura basal e muco cervical. E os sinais secundários? Existem vários, uns mais confiáveis, outros menos. Um deles, é o pico de LH, que pode ser detectado através de testes de ovulação. São muito confiáveis e sempre recomendamos, principalmente para tentantes. 

Outro sinal secundário, é a análise do colo do útero. Confesso que tenho meus receios, embora muitas mulheres verifiquem o colo do útero. É uma região muito sensível e propensa à bactérias. A unha pode machucar, pode sangrar e o estrago está feito. Se você tem bastante experiência, vá em frente! Eu tentei analisar meu colo do útero durante 2 anos, porém nunca consegui encontrar um padrão confiável. Outros sinais como dor de ovulação, sangramento de ovulação, dor e sensibilidade nos seios, dor de cabeça. irritação, são tidos como secundários. Você pode anotar no teu gráfico, mas dificilmente serão levados em conta para determinar teu período fértil.

E agora, como interpretar o meu gráfico?

Muco: quando você começar a ter muco fértil, já deve ficar atenta! Se quiser engravidar, comece a namorar. Se estiver usando o método como contracepção, evite relações por 3-5 dias até o muco voltar a ficar seco ou cremoso. 

Temperatura: normalmente, antes de ovular, a temperatura se mantém baixa. Às vezes, no dia anterior da ovulação, ela abaixa ainda mais. Você poderá confirmar a ovulação quando a temperatura subir mais do que as 3 últimas temperaturas e se manter nesse patamar (ou subindo) pelos próximos dias. Caso ela suba mas volte a baixar, provavelmente não houve ovulação. Mas se ela subir e permanecer alta, é um indicativo de que o folículo liberou o óvulo (ou seja, você ovulou) e o corpo lúteo começou a produzir progesterona (é a progesterona que aumenta a temperatura do corpo). Caso a ovulação se confirme, o aplicativo irá traçar uma linha vertical, indicando o dia da ovulação e uma linha horizontal, separando as temperaturas da fase folicular das temperaturas da fase lútea.
  • Se a temperatura após a ovulação se manter alta por 18 dias ou mais, é um forte indicativo de gravidez. Caso você já saiba o tamanho da tua fase lútea, pode fazer um teste de gravidez, com a primeira urina, no primeiro dia de atraso. 
  • Se a temperatura começar a cair no final da fase lútea, não se desespere. Mesmo em mulheres grávidas, é comum ela cair um pouco. Porém se ela tiver uma queda muito grande e voltar para os valores da fase folicular, é um forte indicativo de que a menstruação está próxima.
Gráfico de temperatura basal do Fertility Friend.
Teste de ovulação: caso teu teste de ovulação apresente a linha de teste tão forte quanto ou mais forte que a linha de controle, é positivo! Você irá ovular entre 12-36h. Intensifique os treinos, não deixe de namorar caso seja tentante. Se a linha de teste for mais fraca que a linha de controle, então ainda é negativo, continue fazendo. Se o teu teste for digital, é ainda mais fácil. Porém, existem regras para fazer o teste de ovulação. Atente-se para elas:
  1. Recolher a urina todos os dias à mesma hora. A amostra deve ser posta num recipiente limpo e seco (plástico ou vidro).
  2. Não usar a primeira urina da manhã.
  3. Melhor momento para fazer o teste é entre às 10 da manhã e 2 da tarde.
  4. Reduzir o consumo de líquidos 2 horas antes da recolha da amostra. A urina muito liquida pode fazer com que o teste não detecte o pico do LH.
  5. O teste deve ser feito imediatamente depois de recolher a urina.
Padrões de gráficos de fertilidade

Com o tempo, você irá começar a perceber que teus gráficos possuem mais ou menos um padrão. Isso é bom, mas também é importante lembrar que não deve se apegar a esses padrões, pois eles podem mudar de um ciclo para o outro. A maioria dos termos que você verá aqui, são em inglês. E por questões de se manter essa padronização, mesmo aqui no Brasil ou em Portugal, são usados esses termos no original.

Shift: em inglês, shift significa tanto mudança quanto salto. Quando dizemos que ocorreu um shift no gráfico, no dia X, queremos dizer que aquela temperatura provavelmente deu um salto, ocorrendo uma mudança em relação às temperaturas anteriores. É um sinal de que provavelmente a ovulação ocorreu no dia anterior. Se a temperatura se manter mais alta do que na fase folicular, por pelo menos 3 dias, podemos confirmar que houve ovulação. Veja que no gráfico abaixo, a temperatura do 21DC (28/02/2011), apresentou um shift, maior do que as 3 últimas temperaturas. Isso já é um bom sinal. Mas para confirmar a ovulação, elas deveria se manter nessa altura por pelo menos mais 2 dias (totalizando 3 dias de temperatura alta), que foi o que aconteceu.


Shift ambíguo: Usamos a mesma explicação que no item anterior. Mas nesse caso, o gráfico apresenta 2 shifts, podendo deixar a usuária confusa caso ela não tenha outros sinais de fertilidade para confirmar a ovulação. Veja que no gráfico anterior, podemos dizer que houve um shift ambíguo. Houve um shift grande no 21DC, mas também houve outro shift, menos expressivo, no 27DC. Como a usuária estava tendo muco creamy (indicativo de progesterona), ela nem o aplicativo tiveram dúvidas de que ela tinha de fato ovulado no 20DC. O gráfico abaixo mostra outro exemplo de shift ambíguo. Sem a informação do muco cervical, do teste de ovulação ovulação e do monitor de fertilidade, seria impossível identificar a ovulação em um único dia no gráfico, e poderíamos ficar confusas achando que a ovulação poderia ter acontecido no 23DC.


Temperaturas erráticas: nem todas as mulheres possuem temperaturas estáveis. As temperaturas podem ser erráticas e embora isso dificulte um pouco a interpretação, ainda assim é possível identificar os sinais de fertilidade. É importante lembrar que indutores de ovulação (como o Clomid), distúrbios na tireóide, insônia, febres e etc podem causar temperaturas erráticas. Veja por exemplo, o gráfico abaixo, que apresentou temperaturas erráticas. Ainda assim, a ovulação pode ser claramente detectada neste gráfico, uma vez que as temperaturas aumentam para um nível mais elevado após a ovulação e os resultados do teste de ovulação são positivos nos dias 14º e 15º do ciclo.


Slow Rise: em inglês, slow rise significa "subida lenta". Quando isso acontece, o gráfico não mostra um shift muito claro e possivelmente será necessário mais alguns dias para confirmar que de fato houve ovulação. No gráfico abaixo, por exemplo, podemos detectar um padrão de slow rise com ovulação no 13º dia do ciclo. Embora a temperatura aumente vagarosamente, o dia da ovulação é claro por conta dos outros sinais de fertilidade, como muco cervical e características do colo do útero.


Slow rise e temperaturas erráticas: Agora já conhecemos o conceito de slow rise e de temperaturas erráticas. E quando um gráfico apresenta ambos esses padrões? Sem problemas, bora analisar! O gráfico abaixo mostra um padrão de aumento lento com a ovulação detectada no 17º dia do ciclo. Embora as temperaturas não tenham aumentado muito e mostrado um shift claro até o 19º dia do ciclo, a ovulação pode ser confirmada no 17º dia do ciclo devido ao resultado do teste de ovulação e observações do muco cervical e características do colo do útero. As relações sexuais foram bem sincronizadas durante toda a fase do período fértil e um teste de gravidez positivo é registrado pela primeira vez aos 11 dias após a ovulação. Essa linha verde representa as temperaturas após ser registrado o teste de gravidez positivo. Veja que a tentante, não satisfeita com um teste de gravidez positivo no 28º dia do ciclo, continuou fazendo por mais 3 dias! hahahaha Mas quando se espera esse positivo por muito tempo, a gente quase que não consegue acreditar e precisa ver a linha do teste ir escurecendo, né? ❤


Fallback Rise: o termo fallback rise significa literalmente "cair para trás (ou para baixo) após uma subida". Tá, mas o que raios significa isso? Isso acontece quando logo após a ovulação (geralmente no 2º ou 3º dia após a ovulação), a temperatura apresenta uma queda brusca, muitas vezes levando a usuária a acreditar que não ovulou. Para confirmar que ovulou de fato, essa queda não pode durar mais do que um dia, ela tem que voltar a subir. Caso tenha um shift/aumento grande de temperatura, mas volta a cair e se mantém baixo, provavelmente não houve ovulação. Mas, caso aconteça como no gráfico abaixo, onde a temperatura despencou no 2DPO (2º dia após a ovulação), mas voltou a subir no dia seguinte, temos um padrão de Fallback Rise. Como houve muco cervical no 14º dia do ciclo e depois do 17º dia do ciclo as temperaturas se mantiveram altas, é possível concluir que a ovulação aconteceu no 14º dia do ciclo. 

Aborto e relato pessoal - Como o empoderamento ajuda a lidar com a dor da perda gestacional?


Texto por Carol Almeida.

Eu sei que estamos acostumadas a ler os relatos dos positivos empoderados aqui no blog, mas este relato é um pouco diferente. Não é um relato triste, longe disso. É um relato confiante, com a certeza de que nada foi e nem será em vão. Muito difícil para qualquer mulher falar sobre sua experiência de uma gravidez interrompida, e para mim não é diferente. Ser EMPODERADA não é ser insensível às situações, e sim saber lidar com elas, conseguindo dominar as emoções ruins antes que elas nos dominem. 

Eu conheci o blog e o grupo em janeiro de 2017, era completamente arriscante e não sabia nada sobre minha fertilidade. Conheci o método sintotermal, passei a tomar vitaminas, ácido fólico – na dosagem certa, claro –, preparar e fortalecer meu corpo, seguindo as dicas do grupo, conhecendo como funcionava meu ciclo e, assim, em 3 meses veio o tão esperado positivo, comemorado por todas no grupo. 

Fiz surpresa pro marido – que ficou super feliz –, era do G2 e fui para o G3 (o grupo tão sonhado das gravidinhas). Tudo ia maravilhosamente bem! Fiz minha primeira ultra com 5 semanas e 5 dias e já ouvi o coraçãozinho do meu bebê bater. Que sensação maravilhosa! Já fazia planos pro chá de revelação... Aliás, foram feitos muitos planos, viagens adiadas, pois agora tudo, tudo girava em torno desse novo bebê. Fiz todos os exames e tudo ok, dei um tempo da academia, segui todos os cuidados e orientações da médica (obstetra).  

Estava já de 9 semanas e ansiosa para o meu primeiro dia das mães. Porém, no sábado à noite que antecedia esse dia tão esperado, notei um leve sangramento (quase nada), e, então, fomos para a urgência obstétrica verificar se estava tudo bem. Primeira avaliação ok, colo do útero fechado, sangramento já tinha cessado. Fui fazer a ultra e, de repente, meu mundo desabou: o médico me falou que o embrião só se desenvolveu até 6 semanas e tinha ausência de batimentos cardíacos. Eu e meu esposo fomos para casa, com um vazio enorme no peito. 

No dia seguinte, eu estava lá novamente, agora para me internar e fazer a curetagem. O dia que era para ser o meu primeiro dia das mães, foi o dia em que estava perdendo meu bebezinho. Fiz a AMIU (aspiração manual intrauterina), um procedimento menos agressivo e com recuperação mais rápida que a curetagem tradicional. Não senti dor física, além daquela causada pela interrupção do meu sonho, mas foi traumático psicologicamente, é claro. Logo veio a sensação de culpa, “o que eu fiz de errado?”, “o que faltou fazer?”, “eu fiz tudo certinho”, mas no fundo eu sabia que o que aconteceu não foi minha culpa, fugia ao meu controle. 

Vivi o luto da perda, mas não deixei que o luto se transformasse em medo e insegurança. Parte do processo de empoderamento é você ter conhecimento sobre tudo que se pode fazer pra ajudar o processo de fertilidade e que existem situações alheias ao nosso controle. Claro que podemos reduzir as chances dessas situações acontecerem, mas não temos como garantir 100% que elas não irão acontecer. 

Recebi muito apoio, tanto do meu esposo como das meninas do grupo, e isso foi fundamental para a minha recuperação. Li, pesquisei, aumentei ainda mais meus conhecimentos, me fortaleci. Minha recuperação foi ótima. Quando parou o sangramento (que foi bem pouco), eu já estava querendo voltar a medir minha temperatura basal, voltar com as vitaminas, e mais do que isso, estava ansiosa para voltar a ser tentante. Vocês sabem por quê? Porque o empoderamento te dá esse poder, o poder de saber que, apesar dessas situações “desagradáveis”, você está no caminho certo!

Refiz meus exames e vi que ainda posso melhorar minha vitamina B12 e D3, então, aumentei as doses diárias. E cá estou eu, tomando minhas vitaminas, ajustando o que precisa ser ajustado, medindo minha TB e aguardando o momento em que farei meu novo relato, do meu novo positivo. Nunca vou esquecer do meu primeiro bebê, ele estará sempre no meu coração, mas hoje meu coração está cheio de esperança e de certeza que tudo que fiz e que estou fazendo vai contribuir para o sucesso da minha próxima gestação. 
O recado que quero dar é que devemos tomar posse da nossa fertilidade e não deixar que nada nos distancie do nosso sonho de sermos mães. Este caminho pode ser mais longo, mais difícil, com obstáculos ou não, mas, com certeza, se você se empoderar, você encontrará um atalho e em breve chegará ao seu destino.
 Texto por Carol Almeida.